Freelancer vs licenças oficiais e piratas
March 2, 2008Abaixo compartilho algumas opiniões sobre a questão de trabalhos freelance e licenças de software, um assunto bem discutido com meus ex-alunos de Computação Gráfica – isto é, trocas de idéias civilizadamente.
A área de CG possui muitos freelancers e a questão sempre discutida era “a licença do software X é muito cara, não tem como eu adquirir a original”. Eu entendo perfeitamente isso, pois realmente a maioria das licenças possuem preços abusivos. E aÃ, como que fica?
Eu sou contra a pirataria, mas sei que é difÃcil ficar 100% livre dela. O que sempre disse para os alunos que me questionaram ou comentaram a respeito das licenças foi o seguinte: “Pensa bem. Você consegue pagar a sua licença do software com um ou dois jobs que pegar no caminho. Ou então, procura uma solução mais barata e viável para o seu bolso.” Aqui entra um problema: sou freelancer, mas ainda não tenho dinheiro pra adquirir a licença oficial e sem o software X não consigo realizar o trabalho do cliente. Eta cÃrculo vicioso!
Mas espera aÃ! Esse problema surge por causa do “jeitinho brasileiro”, ao meu ver. O futuro freelancer já começa errado no momento em que vai fazer a contabilidade para iniciar essa vida. “Ok, preciso de um computador com essa configuração e um espaço em casa… Hum, esse computador vai me custar uns 4 mil reais só de hardware… Bom, pelo menos os softwares basta descer a rua e pegar por 10 reais na barraquinha da esquina. Fechou!” Por que não fazer a contabilidade incluindo o investimento com licenças oficiais? Você não é obrigado a pagar tudo à vista. Logo, conforme os jobs forem aparecendo, você também vai quitando os custos com as ferramentas que você precisa para realizar o seu trabalho. Mesmo que os jobs não apareçam, para qualquer negócio você tem que ter um investimento ou empréstimo inicial. E se você começou errado e usa licenças piratas para realizar os trabalhos, também não vejo desculpas para não reverter a situação.
Como freelancer, fiz o seguinte para contornar esse problema: não comecei de cara como freelancer. Fui guardando parte do salário como empregado e, por sorte, tive ajuda do meu pai em relação à aquisição do computador (digamos que foi meu investidor para eu dar inÃcio na vida de freelancer). O computador veio com a licença oficial do MS Windows, então, algo a menos para me preocupar. No começo dos trabalhos como freelancer, fazia sistemas comerciais em Delphi. Licença de Delphi? Usei uma versão bem antiga da ferramenta que veio inclusa em uma revista. Antes de mais nada, certifiquei-me se poderia usar a licença comercialmente. Como podia, consciência limpa. Quando fiquei de saco cheio de sistemas comerciais, pensei em algo voltado para multimÃdia. Há n compiladores C++ gratuitos por aà e não hesitei em usá-los.
Quanto à parte visual, eu adquiri a licença do Corel Painter 7 por menos de R$400, muito mais em conta do que o Adobe Photoshop ou o Paint Shop Pro. Aproveitei que uma nova versão do Painter estava sendo lançada na época e peguei a versão 7 por um preço bem inferior ao normal. Não precisava da última versão do software, já que tudo que a v7 oferecia já resolvia meus problemas. No 3D, ralei para aprender mas hoje me dou bem com o Blender. Quanto que eu gastei com sua licença? Alguns minutos de download. Também uso o 3D GameStudio para apresentações 3D interativas e sua aquisição foi da maneira que comentei acima: consegui pagar a licença Professional com um job, que por sinal era uma apresentação 3D interativa (o cliente possuÃa a licença oficial e eu tinha que trabalhar no local, logo, não usei licença pirata).
Resumindo: sim, você consegue ser freelancer sem apelar para a pirataria. Basta estudar e organizar melhor seus trabalhos, suas ferramentas e meios de pagamento (e cobrança). Você nem sempre precisa da última versão daquele famoso software. Você também pode pegar uma versão LE/Essentials ou mesmo encontrar algo equivalente e de graça (sou extremamente grato pelo Blender existir e ser de graça!). Pense nisso!

4 comentários para “Freelancer vs licenças oficiais e piratas”
// Comment by ViniGodoy (March 03, 2008 – 12:10 am):
Sem falar em softwares que já estão sendo disponibilizados de graça. Blender (3D Studio Max) , Gimp (Adobe Photoshop), Inkscape (Corel Draw)…
Ok, alguns não são tão bons quanto os seus respectivos concorrentes pagos, mas para o começo é uma ótima idéia.
// Comment by Bruno Croci (March 03, 2008 – 2:33 pm):
Muito bom artigo, André!
Eu concordo com o comentário do ViniGodoy, e mesmo que muitas vezes os concorrentes pagos sejam melhores que os Gratuitos, o que mais importa é a performance do profissional.
Eu não tenho a mÃnima experiência com Gimp, porém estou querendo aprender, pois vejo as milhares de vantagens de usar um software livre!
Mas fora programas gráficos (Photoshop, fireworks e windows, é claro), sou totalmente adepto ao Software Livre!
Concerteza é a melhor alternativa para quem pretende iniciar na área de freelancer, e digo por experiência própria, iniciou, ficou! =D
Obrigado
// Comment by Diego (March 05, 2008 – 1:41 am):
Você tocou em alguns pontos importantes, principalmente na questão de comprar versões um pouco mais antigas e as versões pra estudantes (acredito que foi isso que você quis dizer com LE – Learning Edition).
Também tem as versões gratuitas, como o GMax (que pode não substituir totalmente o 3D Max, mas quebra um galho em muitos casos) e as versões Express do Visual Studio.
// Comment by kishimoto (March 05, 2008 – 9:58 am):
Diego,
Na verdade o que eu quis dizer com versão LE é Limited Edition. É que, acabei esquecendo de citar, mas as tablets Wacom vêm com o Adobe Photoshop LE (agora chamado de Essentials) e o Corel Painter Essentials. Ao menos na Graphire (não sei agora, já que a Bamboo veio para substituir a Graphire).
Geralmente versão educacional limita você, não permitindo a produção de trabalhos comerciais com esse tipo de licença (lembre-se de checar o que você pode ou não pode fazer com a licença antes de adquirir a mesma).